NOSSAS HISTÓRIAS: BRUNO FERRAZ

A seção Nossas Histórias ainda está em clima de Dia dos Pais! Entrevistamos nosso Diretor Geral e perguntamos sobre sua experiência profissional, sua vivência na Coferly com seu pai, Moacyr Ferraz, e o desafio de criar 2 filhas.

  1. Coferly: Há quanto tempo você está na empresa?

Bruno: Oficialmente, desde 2006, quando iniciei o programa de Trainee. Isso foi logo depois que os sócios implantaram o processo de profissionalização, e criaram um programa oficial e estruturado de acesso aos sucessores para dentro da organização. É praticamente o mesmo programa que feito até hoje, com a Rafaela e o Victor, por exemplo, em que você precisa cumprir alguns filtros para ingressar e não são filtros fáceis. Tem que ser graduado, ter uma pós-graduação, experiência anterior de trabalho e alguma experiência fora do país, de estudo ou trabalho, entre outros.

No final do programa de trainee, a proposta era que a gente apresentasse um trabalho de conclusão, e o meu foi criar uma de área de controladoria, que não existia na época. Eles gostaram da proposta e me disponibilizaram um notebook e a contrataram um estagiário. Eu fiquei nessa posição por mais ou menos dois anos.

Em 2007, nós batemos o martelo que mudaríamos para Cotia. Na época o então Gerente Administrativo não quis vir pra cá, então os sócios me ofereceram o cargo e eu aceitei o desafio. Nesse mesmo momento o Moacyr também passou a área Financeira para mim.

Na minha equipe tinham pessoas muito experientes, e foi um desafio grande gerir pessoas com tamanha bagagem, sendo que eu tinha apenas 26 anos. Depois de 9 anos como Gerente, eu assumi o cargo de Diretor Geral. 

Bruno e seu pai, Moacyr Ferraz.

  1. Coferly: Desde pequeno você já sabia que iria trabalhar aqui na empresa?

Bruno: Meu objetivo sempre foi ser o executivo número 1, em qualquer empresa que eu trabalhasse. Mas eu gostaria que, em algum momento, fosse aqui na Coferly.

  1. Coferly: Seu pai te deixou livre para escolher se iria trabalhar aqui ou não?

Bruno: Totalmente! Era muito clara a sua vontade de ver os filhos nos negócios da família, mas ele nunca pressionou nenhum de nós dizendo que a gente tinha que trabalhar aqui. Meu pai preparou meus irmãos e eu para sermos empreendedores e sempre priorizou a nossa educação. Ele dizia que não iria ter dinheiro para tudo, que muitas coisas que a gente queria, ele não ia dar. Mas uma coisa que ele nunca iria recusar era educação.

  1.     Coferly: Como foi assumir um cargo que foi por tantos anos ocupado pelo seu pai? Você se sente pressionado de alguma forma?

Bruno: Como sempre fui da área financeira, eu sabia que sempre iria subir na linha onde estava o meu pai. Eu não me sentia pressionado por isso, tinha muito mais chances de chegar mais bem preparado do que ele, pois tive mais acesso à educação, tive mais oportunidades de participar e me desenvolver em uma empresa mais madura e organizada, e ainda tive o apoio dele que sempre compartilhou sua experiência.

Eu participei de todos os grandes projetos ao longo dos anos, então tudo isso tirou de mim essa pressão, conheço o negócio, as pessoas, os clientes, fornecedores e os processos de trabalho, então eu estava preparado, técnica e mentalmente, para o desafio.

  1. Coferly: Você imagina suas filhas trabalhando aqui na Coferly um dia? Se sim, como você abordaria o assunto com elas?

Bruno: Eu acho que sim, eu acho que é natural que alguém da quinta geração trabalhe aqui. Na quarta geração nós somos em 7, imagina se cada um tiver dois filhos. É bem provável que alguns desses 14 estejam aqui.

Minhas filhas ainda são muito pequenas, eu não sei o que elas vão querer da vida. Mas eu não ponho pressão… Tento mostrar para elas o que é importante, explico que eu venho trabalhar aqui, porque é o que eu gosto de fazer, que tem gente da família e é legal encontrar com eles aqui, e se isso despertar algum interesse nelas, elas vão ter que se preparar.

Uma vez minha filha mais velha, a Manuela, me perguntou o que eu faço. Essa foi uma das perguntas mais difíceis que eu tive que responder na minha vida! Como eu ia explicar o que eu fazia? Eu não posso usar a palavra empresa, ela não sabe o que é uma empresa, muito menos Diretor. Aí eu mudei a abordagem, expliquei pra ela que a gente no fim do dia faz produtos que transforma as pessoas, para que elas se sintam bem e fiquem mais bonitas. A nossa empresa faz isso! 

  1. Coferly: No almoço em família seu pai te pergunta como estão as coisas na empresa?

No começo esta troca era mais intensa, porque até 2008 eu morava e trabalhava com ele. Nessa época, nós sempre falávamos de trabalho, pois é um tema que a gente gosta e era o assunto principal do dia-a-dia dos dois. Agora que eu sou Diretor Geral, a gente fala somente de temas que são comuns a todos os Executivos e Conselheiros. Tomamos cuidado para não misturar as coisas, já que existem assuntos que são para ficar aqui dentro da empresa e temos que respeitar a Governança Corporativa e o reporte ao Presidente do Conselho, que atualmente é o Mauro Ferraz, meu tio. 

Bruno e suas filhas, Manuela e Giovana.

  1. Coferly: O que seu pai fez com você que você quer fazer ou já faz com as suas filhas?

Bruno: Acho que primeiro de tudo é a prioridade para a educação. Eu prezo muito por isso e incentivo pra caramba. A Manu, que é a mais velha, já sabe o peso que eu ponho para estudar e o esforço que a gente faz para ter o melhor ensino, e a Gigi, a mais nova, incentivo muito a ser curiosa. Estou preparando minhas duas filhas para terem cabeças de empreendedoras, assim como eu fui preparado pelo meu pai.

Eu sempre falo pra elas, assim como meu pai sempre me disse, que eu sempre vou falar a verdade, não tem meia conversa. Um exemplo pequeno disso, é quando vai tomar vacina e elas perguntam se vai doer, eu falo que vai, mas vai passar rápido.

Outra coisa, é que meu pai nunca faltou em nenhum evento nosso. Quando estava com os filhos sua atenção era 100% para a gente, nós éramos a prioridade. Quero manter isso com elas, estar presente sempre!

  1. Coferly: Como é para você ter 2 filhas, sendo que conviveu com 2 irmãos?

Eu trato da mesma forma que eu trataria se fossem meninos, eu não acho que tem diferença. Eu acolho quando tem que acolher, eu deixo sofrer quando tem que sofrer, deixo errar quando tem que errar. Aliás, esse é um ponto que eu faço diferente do meu pai. Ele não deixou a gente errar tanto, é um cara muito protetor.

Eu sempre quis um menino para me acompanhar nos exercícios, atividades, eu sempre gostei de esportes mais de aventura.
Mas hoje, vejo que minhas filhas gostam e vão me acompanhar em tudo.

Deixo-as livres para fazerem suas próprias escolhas, elas podem ser o que elas quiserem! Sempre digo pra elas não deixarem ninguém escolher o que podem ou vão ser!

  1. Coferly: Em algum momento durante a sua gestão precisou buscar respostas ou conselhos com o seu pai? 

Bruno: Meu pai nunca vai deixar de ser o meu maior mentor, é um cara que eu confio demais, tenho muita admiração e muita gratidão. Ele ficou 40 anos como executivo aqui na Coferly, montou outros negócios, construiu um patrimônio, uma família e um legado.

Eu me espelho muito nele e consigo perceber onde acertou, onde errou e onde eu faria diferente. E assim como ele é comigo, eu sou com as minhas filhas. Digo a elas que sempre vou ser seu melhor amigo, não importa o que aconteça, sempre estarei aqui para apoiá-las.